ENTREVISTA | F STUDIO

A parceria entre os sócios Fernando Fernandes, Flavia Araujo e Felipe Vargas se iniciou em 2013, com a criação de um ateliê na Antiga Fábrica Bhering, no Rio. Todos os projetos desenvolvidos, desde a escala urbana à escala do objeto, são produtos de uma exploração e observação da paisagem.


Como é a criação em equipe? Feito à 6 mãos?
Sim. Todos os processos na concepção dos projetos de arquitetura e mobiliário são realizados com a participação direta de nós três. Durante as etapas, naturalmente, dividimos as tarefas que são muitas no longo caminho desde a criação da peça até a comercialização do produto.

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Como fica a rotina de criação e produção dividida entre as duas cidades – Rio de Janeiro x Juiz de Fora?
Rotina não seria uma palavra adequada para definir nosso processo de criação e produção. Por participarmos ativamente de concepção, desenvolvimento, acompanhamento, prototipagem, visitas a oficina, vendas, entrega, nosso dia a dia é inquieto, estamos em movimento a maior parte do tempo e aproveitamos esse trânsito para um estudo de campo, percebendo as cidades, as estradas, a natureza, formas e texturas. A observação é nossa maior ferramenta para concepção de ideias, descobrimentos de materiais, de ferramentas, de novos contatos… Por sermos três sócios, conseguimos dividir tarefas e nos conectarmos com as duas cidades ao mesmo tempo. Isso faz com que sempre estejamos por dentro do que rola em todas as etapas de concepção do mobiliário.

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Como foi a transição de vocês da arquitetura para o design?
O interesse pelo desenho de mobiliário começou quando iniciamos as atividades na Fábrica Bhering e tínhamos o desafio de projetar um espaço que seria dividido para três empresas e com orçamento reduzido. A solução projetual foi uma grande estante fixa de ferro de descarte, que funcionava como divisão dos ambientes e expositor do showroom do C Vintage (loja de móveis vintage). A partir deste momento, muitas pessoas que visitavam a Fábrica começaram a pedir projetos personalizados de móveis, nos quais o ponto de partida sempre era o ferro e o espaço. Toda a nossa linha de móveis foi criada com o estudo e desenvolvimento desses primeiros protótipos e pedidos.

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Com que materiais vocês gostam de trabalhar?
Gostamos de trabalhar com a interação entre materiais como madeira, vidro e concreto sempre estruturados pelo ferro.

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Conte um pouco sobre o projeto de Design Art nomeado “Mostra 1 +10”.
Por trabalharmos em um ambiente em convivência com diversos tipos de arte, buscamos sempre agregar pessoas e propostas multidisciplinares para pensarmos algo em conjunto. No início deste ano, nós resolvemos aceitar o desafio de desenhar nossa primeira cadeira. A cadeira F é formada por três elementos de ferro, que permitem a exploração em sua diversidade de uso, montagem e materialidade.

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Ainda em fase de protótipo, nós convidamos dez artistas da cena carioca e da nossa cidade natal (Juiz de Fora/MG) para participar desse processo de entendimento e desenvolvimento da peça. A cada um foi entregue um protótipo e os resultados dessa experiência entre os universos da arte e do design foram divertidos e instigantes, um objeto do cotidiano resultou em um objeto de arte.

Crédito: Semana de Design (Camille Garzon)
Crédito: Semana de Design (Camille Garzon)

No projeto que uniu gastronomia, moda e design para a loja conceito UMA em São Paulo, como foi o processo de colaboração de vocês, com a arquitetura e peças de design?
O conceito para a nossa colaboração em consultoria e desenvolvimento de mobiliário sob medida para o espaço partiu da vontade da chef Roberta Sudbrack de levar um pouco do Rio de Janeiro para São Paulo. Localizado em um projeto do arquiteto Marcio Kogan, foram desenvolvidos para o Sud Dog um painel para a parede de objetos de concreto sextavados e a versão em pintura branca do Banco Urbe, que são associações diretas com as calçadas características do Rio. Desenvolvemos também a Mesa 2001 em concreto e pigmentos na cor azul com variações de alturas. Apesar das cores e peso do concreto, os mobiliários apresentam a leveza das estruturas em ferro. Foram inseridos com uma presença marcante, porém leve, em um contexto de texturas existentes, como o muro com a argamassa bruta e o piso de pedras portuguesas.

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Quais artistas, arquitetos e designers vocês admiram?
Buscamos referências estéticas, de materiais, de forma, de processo, de observação e concepção em diversos designers/arquitetos/urbanistas/artistas: Charles and Ray Eames, Marcel Breuer, Geraldo de Barros, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Kevin Lynch, Sergio Rodrigues, Aldo Rossi, Dieter Rams, Pierre Koenig, Superstudio, Paul Klee, Jan Gehl entre muitos outros.

Sites favoritos?
divisare.com
www.freundevonfreunden.com
www.archdaily.com.br
www.dezeen.com

Quais são os 3 trabalhos favoritos de vocês?

F.Studio_BANCO_URBEBanco Urbe: nesta peça, a ideia foi reinterpretar um objeto do imaginário urbano: o bloquete de concreto pré-moldado. Transformamos o uso do objeto ao utilizá-lo sobre a estrutura em ferro, que pode ter diversas funções, como banco, mesa lateral, mesa de centro; sozinhos ou em grupos, reproduzindo as calçadas quando utilizados intertravados.

fstudio_estenate_dotes_2Estante Dots: A estante Dots surgiu de um projeto personalizado, onde partimos das linhas para os planos geométricos – no caso, o círculo, que é utilizado para fixar a estante na parede.

F.Studio_APARADOR_MIESaa4f89_63686ab8327f49fb9f7d9b1d92b16bf6Aparador Mies: Assim como um projeto arquitetônico, foi desenvolvido explorando relações de peso e leveza, cheios e vazios, balanços, permeabilidade visual e dinâmica nos fechamentos (das portas de correr que podem sempre modificar a aparência do móvel). Na tentativa de pensar em uma adaptação a diversos espaços, o aparador é simétrico, permitindo a utilização como divisor de ambientes.

Os maiores desafios de comercializar os seus trabalhos no Brasil?
Os maiores desafios para nós, além da parte de gestão e administração da empresa, é precificar o nosso trabalho e conciliar o crescimento com o controle sobre todas as etapas. Trabalhamos com produção própria e artesanal, o que naturalmente torna a produção mais cara e mais lenta do que a produção em série das peças. Participamos do desenho inicial ao atendimento ao cliente. Nós acreditamos que é muito importante ter essa relação de proximidade e o consumidor final entender o tipo de produto está adquirindo.

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Projetos futuros?
Apesar da cabeça nunca parar e termos muitas coisas para concluir em tudo que produzimos no presente, já estamos pensando, observando e pesquisando novos materiais que atendam ao conceito que desenvolvemos de mobiliário para o lançamento de uma nova peça. Alguns projetos de arquitetura, como uma casa em Ibitipoca, no interior de Minas Gerais, onde teremos a liberdade total para aplicar conceitos, testar materiais e técnicas; e o projeto de uma pequena intervenção urbana, em uma rua do Rio, em parceria com algumas empresas da área de gastronomia, que temos muita expectativa que saia do papel e que se torne um ponto de encontro cultural, gastronômico, de entretenimento e lazer focado sempre nas pessoas.

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One Comment

  • Fátima brasileiroAutor

    Muito orgulhosa de vocês. Ótima entrevista quem conduziu e vocês que responderam com conhecimento técnico unido a criativida.parabens

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